Superjornalistas precisam-se

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Já passava das 11 horas quando o anfiteatro nobre da Faculdade de Letras do Porto se encheu de jovens estudantes, jornalistas e académicos da área. As ânsias eram as mesmas: a preocupação com o futuro do jornalismo e a defesa entusiástica dos ideais que lhe deram origem.

O segundo dia do Congresso Internacional de Ciberjornalismo continuou em força. Helder Bastos deu o mote para a conferência voltada para o futuro do jornalismo online. Após apresentar a conferencista Bella Palomo, recomendou o livro “El periodista online” da autora.

Bella Palomo esteve envolvida em três investigações, das quais resultou o estudo apresentado na comunicação. A oradora começou por apelidar este período como o dos mais “cruéis” da História do jornalismo. A crise provocou o fecho de vários meios de comunicação e os que sobrevivem fazem-no com muito menos jornalistas. O jornalismo tem sobrevivido, mas o meio encontra-se numa espiral de insegurança que não permite que um órgão de comunicação possa pensar a curto, médio e longo prazo.

Para o seu estudo, a autora propôs uma série de perguntas, tais como: como captar a atenção dos jovens? , como irá morrer o jornal impresso?, quem é jornalista?, como cobrar pelo conteúdo online?, a colaboração cidadã compensa?, de quantos jornalistas precisa um meio para sobreviver?, quem deveria investir no jornalismo de dados?, em quantas redes sociais devemos estar?, devemos adquirir um drone?, o que nos oferece o jornalismo robótico?.

Atualmente, existe uma necessidade premente de inovação, mas essa inovação exige recursos monetários de que não se dispõe. “Innovation”, o projeto do New York Times, é também referenciado, mas Bella Palomo relembra que nem todos os órgãos de comunicação possuem tamanhos recursos.

Apesar das limitações, os diferentes meios de comunicação estão, hoje, a trabalhar com novas ferramentas: Storify, Periscope, Brightcove, Chartbeat e Livefyre. Resta indagar se os meios aprenderam algo e se as redações mudaram. Os meios de comunicação têm de fazer um uso intensivo das redes sociais para atingir públicos maiores, têm de se abrir. As redações poderiam beber um pouco da sabedoria do cidadão comum.

Há uma “innovación por intuición” por parte dos meios de comunicação. O jornalismo tem, atualmente, uma nova coreografia de informação: de uma forma geral, as notícias de última hora surgem no Twitter primeiramente, depois, fazem-se alertar, seguem para a Web e só depois para o formato impresso.

Mas… se não existe uma cultura de inovação, como se poderá criar uma equipa de inovação? O jornalismo sobrevive diariamente, mas a margem para explorar é mínima. Numa redação, todos fazem de tudo, são as chamadas “equipas transversais”. Ou, pelas palavras de Bella Palomo, “sobrevivimos dia a día, pêro no hay margen de tiempo para explorar… Todos hacemos de todo, somos equipos transversales.”

É importante, para Bella Palomo, definir em absoluto o que é ser jornalista. Um jornalista é aquele que se sacrifica pelo bem da sociedade, é aquele que tem como função suprema informar durante períodos conturbados de transição. E o “superperiodista” é o jornalista que se permite abrir à cultura da experimentação, resistindo às alterações drásticas.

Os meios procuram, hoje em dia, manter as audiências, rejuvenescer o jornalismo, organizar o trabalho na redação e implementar estratégias diferenciadas de acordo com o órgão de comunicação. Bella aponta uma verdade preocupante: os jornalistas vivem em pressão constante. Por isso, em jornalismo, quem não tiver vocação acabará por se sentir escravo.

A conferência terminou com um tom menos pessimista. O futuro pertence aos estudantes de jornalismo e cabe a eles fazer a diferença, ao reestruturar a prática e a doutrina do “periodismo”. Ficou a esperança e a vontade de fazer mais. Mais e melhor.

Por André Ferrão e Catarina Maldonado Vasconcelos (CC, 2º ano)

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