Interatividade e convergência: as mudanças nas redações

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O painel 3B abriu o 2º dia do Congresso Internacional de Ciberjornalismo e contou com a participação de Pedro Cajazeira, Giovana Mesquita, Jorge Vázquez-Herrero e José Ferreira

Com o objetivo de investigar a forma como se estabelece a interação entre os jornais digitais e o seu público, Pedro Cajazeira apresentou o estudo “Notícias ao vivo nas redes sociais online: interatividade e convergência”, elaborado juntamente com Cicero Junior.

Segundo o estudo, o processo de convergência das redações provoca algumas alterações no modo de transmissão de conteúdos. “De que forma é que a narratividade da notícia está cada vez mais centrada na audiência e na multimedialidade de redações unificadas?”, questionou o orador. Para responder à questão, Pedro Cajazeira e Cicero Junior analisaram a temática do Processo de Impeachment nos jornais Gazeta do Povo e El País.

Os dados mostram que há uma maior possibilidade de produção de conteúdo nativo e um contacto com o ciberleitor. A Gazeta do Povo foi quem produziu mais conteúdos, o que mostra que possui um desenvolvimento tecnológico superior ao El País. “Há um aumento do poder de integração digital das redações ao seu público”, confirmou Pedro Cajazeira. No entanto, o orador acrescenta que “a maioria dos jornalistas nas redações unificadas não possui experiência em televisão”

Seguiu-se Giovana Mesquita, que apresentou o trabalho “O que fazem o community manager e o editor de mídias sociais em dois veículos de referência: ciberjornalismo ou marketing?”.

A investigadora questionou “como é que o jornalismo funciona nas redações” e abordou as mudanças e novas exigências de atualização constante, provocadas pelo avanço tecnológico. Estas mudanças, segundo Giovana Mesquita, fazem com que o jornalista “precise de ser tudo ao mesmo tempo” e tenha novas funções na redação.

Através de várias entrevistas, o estudo concluiu que os conteúdos são incorporados nas redes sociais pela força da opinião vinda dessas redes. “As redes sociais funcionam como um termómetro”, o que permite saber o feedback imediato de determinados conteúdos.

A oradora concluiu, afirmando que antes os jornalistas presumiam o que a audiência queria e agora “as redações baseiam-se também no que é comentado nas redes sociais” para construir a notícia, o que leva a que “os jornalistas se reinventem permanentemente”. Giovana Mesquita alertou ainda para a necessidade de se “considerar o limite entre o que é o jornalismo e o que é o marketing”.

Jorge Vázquez-Herrero, da Universidade de Santiago de Compostela, foi o orador que se seguiu, com o estudo “El reportaje en los cibermedios: análisis de três propuestas internacionales 2015-2016”, elaborado em conjunto com Xosé López-García.

O estudo explora a reportagem multimédia em Portugal, Espanha e Reino Unido, fruto de uma convergência que leva à criação de narrativas digitais. O objetivo, segundo o investigador, é “conhecer o desenvolvimento da reportagem durante o último ano, no âmbito internacional”.

Os resultados mostram que há uma notável presença de produtos anglo-saxónicos e os principais temas abordados são o conflito (36%), o meio ambiente (22%) e a emigração (11%). Apesar de haver aposta na multimédia e na hipertextualidade, Jorge Vázquez-Herrero alerta para a falta de interatividade nas reportagens.

José Ferreira foi o último orador do painel. Com o estudo “Hard News vs. Soft News: a insustentável leveza das notícias na irrealidade quotidiana da Sociedade Hipermoderna do Séc. XXI”, o investigador pretende perceber o que se lê no ciberjornalismo e o porquê de o público ler conteúdos “relevantes ou ligeiros”.

“O meio mais utilizado para consulta de notícias neste momento é o online”, afirmou o orador. No entanto, a consulta dos conteúdos por si só não é suficiente, “o que importa é o conteúdo”, acrescentou José Ferreira.

O autor abordou o conceito de “economia de atenção” e explicou que ocorre quando os leitores, mesmo sabendo que um determinado conteúdo é relevante, apenas o leem quando é necessário. “Será que há uma anestesia ou uma passividade social do cidadão?” é pergunta a que se propõe responder.

O estudo concluiu que os leitores continuam a ler hard news, de temas nacionais e que as notícias políticas são lidas especialmente em tempo de eleições. No caso português, a política não é um dos temas mais lidos, o que pode refletir a “deceção em Portugal sobre os atores políticos”.

José Ferreira encerrou o painel com a preocupação de que “nada nos vale que os jornalistas sejam ricos em conteúdo, se ninguém os lê”.

Por Catarina Peixoto (CC, 3º ano)

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