Estabilidade parece rimar com ciberjornalistas em Portugal

Helder Bastos, professor e diretor da licenciatura de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, falou sobre o estudo que realizou acerca da evolução do ciberjornalismo em Portugal na conferência “Os ciberjornalistas portugueses em 2016: uma aproximação a práticas e papéis”.

Hélder Bastos a apresentar o novo estudo
Helder Bastos na conferência sobre os ciberjornalistas portugueses em 2016, um estudo que surge como follow up de um outro que realizou em 2008

A necessidade desta investigação surgiu por não existir nenhum “follow up” desde 2008. “Quantos são? O que fazem? Estão satisfeitos com o trabalho? Que evolução há?” foram as questões colocadas por Helder Bastos, apesar de não ser um estudo comparativo, afirmando ainda que “as fronteiras entre jornalistas e ciberjornalistas já não são tão claras como há uma década atrás”.

Num trabalho ainda em progresso, o orador partilhou com a plateia o método de análise escolhido: o inquérito e confessou que “tem sido um trabalho bastante duro” porque a disponibilidade dos ciberjornalistas para responder é muito reduzida. Segundo Helder Bastos, este talvez seja um dos motivos para a pouca adesão a este tipo de investigação. À exceção de Mark Deuze, também presente no #5COBCIBER, que já realizou um estudo desta dimensão.

A amostra conta com jornalistas que trabalham em 14 meios de comunicação (Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, P3, Diário de Notícias, Expresso, Diário Digital, Observador, SIC, Rádio Renascença, TVI, O Jogo, Mais Futebol e Sapo). Ao todo, falou com 181 ciberjornalistas e conseguiu obter oitenta e uma respostas.

De entre os dados analisados podemos destacar alguns mais elementares como o sexo, a idade, horas de trabalho e sindicalização. Um elemento já verificado em 2008 é que as mulheres continuam a dominar o ciberjornalismo em Portugal. Quase 60% ocupam este cargo e a tendência mais geral é continuar a aumentar. Nestes resultados destroem-se ainda mitos como “os ciberjornalistas trabalharem 12 horas.” Segundo Helder Bastos, esta “não será aquela ideia que [os ciberjornalistas] estão a trabalhar durante dia e noite.” Na verdade, “9 horas é o que trabalham pouco mais de 20%”, esclareceu o professor. Outra curiosidade é a maioria da amostra dos ciberjornalistas não ser sindicalizado. Apenas 30% o é. Como referiu o orador, muitos dizem “não sou, mas estou a pensar [ser sindicalizado]”.

Para além destes elementos, Helder Bastos falou também da idade, tipo de empresa e vínculo laboral. Aqui concluiu que os ciberjornalistas são, na sua maioria, jovens (entre os 25 e os 30 anos), o que mostra que a “juventude domina o online”. Em relação ao vínculo laboral e em contraste com o que Mark Deuze disse na sua conferência, o diretor da licenciatura revelou não existir precariedade na profissão e [revelou] que a maioria dos ciberjornalistas em Portugal tem uma situação segura. “Estabilidade parece ser uma das marcas do ciberjornalismo em Portugal.”, disse.

Outra resposta que Hélder Bastos procurou obter no seu inquérito era relativa ao número de anos que os ciberjornalistas trabalham na profissão a tempo inteiro. Aqui concluiu que já têm uma experiência bastante razoável, pois a maioria já trabalha há 15/20 anos: o mesmo tempo que também têm carteira profissional.

Passando para o campo da formação, cerca de 40% dos ciberjornalistas estão a trabalhar há 5 ou 10 anos, sendo a maioria licenciados (80%) e poucos com mestrado. Cerca de 90% tem a licenciatura no curso de ciências da comunicação, na vertente de jornalismo, sem formação específica em ciberjornalismo.

Em relação às características ocupacionais, a tarefa mais cumprida no dia-a-dia é a redação de notícias, de seguida a edição de textos de agências, depois a pesquisa online e a que aparece em quarto lugar é a elaboração de trabalhos multimédia. Já as ocupações menos cumpridas são a programação informática, a elaboração de peças em áudio e em vídeo e a interação com os leitores e utilizadores. Neste último existe um paralelo com o estudo de 2008, já que “sempre foi uma característica dos ciberjornalistas interagir pouco com quem consome o seu trabalho. É uma coisa um bocadinho difícil de digerir do ponto de vista da investigação.”, expôs Hélder Bastos.

Para surpresa de alguns espectadores, os ciberjornalistas saem da redação para a realização de reportagens com pouca frequência. 40% raramente e 15% nunca. “Este é um traço que se mantém do estudo de 2008.”, frisou o orador. Para os ciberjornalistas é mais importante publicar informação o mais rápido possível, isto é, estar sempre em cima do acontecimento.

O que se retira deste inquérito, por enquanto, é que os ciberjornalistas são um grupo jovem em Portugal formados em comunicação e com experiência em jornalismo e que a sua estabilidade laboral é pouco sindicalizada. Existe ainda um grupo que se mantém sedentário e a produção de texto é maioritariamente preferida (apesar da multimédia ter aumentado desde 2008). Para finalizar, o orador explicou que esta investigação, em relação à de 2008, foi “mais breve, porque reparei que os ciberjornalistas chegavam a meio do questionário e cansavam-se. Esta é uma versão mais light.”

Por Inês Ramos Henriques e Mariana Calisto (CC, 3º ano)

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