Em Portugal, os diretos são os que criam maior engagement

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O segundo dia do #5COBCIBER teve início com o Painel 3A, no Anfiteatro Nobre da FLUP.
Ivo Neto fez a primeira comunicação, intitulada “Diretos no Facebook: A nova forma de centralidade nas redes sociais”.
No seu estudo, concluiu que o consumo de informação é feito de uma forma cada vez mais diferenciada e que o uso de redes sociais como fontes de informação é cada vez maior. Em Portugal, 66% dos utilizadores afirmou usar as redes sociais para procurar informação.
As redes sociais são uma fonte importante de informação para os jornalistas, que já não necessitam de recorrer às fontes oficiais. São encaradas pelos media como meio de distribuição de conteúdos e têm como principal objetivo levar os utilizadores ao seu site oficial.
O investigador concluiu que, globalmente, os diretos constituem a maioria das publicações feitas nas redes socias. Em Portugal, contrariamente ao que se sucede nos outros países analisados, os diretos são os posts que criam um maior engagement com o público. No entanto, estes apresentam alguns riscos impossíveis de controlar: as guerras e os comentários, e os casos de suicídio que são transmitidos.

Seguiu-se Stefanie C. da Silveira, investigadora da Universidade de São Paulo, com a comunicação “Além do jornalismo móvel: o jornalismo ubíquo e o contexto de consumo de informação”.
Stefanie explicou o conceito de Jornalismo Ubíquo como parte da transformação do jornalismo, desaparecimento do ciberespaço, e aparecimento da ideia de “espaços híbridos” para o consumo de conteúdo.
Considerou que a conceção de ciberespaço está desatualizada, uma vez que o espaço virtual está “sempre no nosso bolso”, estamos permanentemente conetados com ele e, como tal, já mal se definem as fronteiras entre a realidade e a virtualidade. A ideia de que “humanos e máquinas são coisas distintas e separadas começa a estar ultrapassada”. Propôs, por isso, o novo conceito de “espaço híbrido”, um espaço que é composto por interações online e offline.
A ubiquidade dos novos dispositivos obriga a uma adaptação dos conteúdos, à adoção de potencialidades como a geolocalização (envio de conteúdos geolocalizados), à navegação em camadas (dar a oportunidade ao leitor de escolher a quantidade de informação a que quer aceder) e à personalização de conteúdo. A investigadora concluiu que, apesar da tecnologia disponível, as empresas não estão a aproveitar as capacidades ubíquas dos novos meios.

Soraia Lima, da Universidade de São Paulo, expôs o seu estudo sobre o uso de dados na construção jornalística, denominado “Jornalismo de Dados no Brasil: uma análise da construção de narrativas jornalísticas por meio da mineração e visualização de dados no país”.
No seu estudo, tentou perceber de que forma o jornalismo trata as informações recolhidas das redes sociais, concluindo que há ainda uma grande dificuldade na recolha de dados para produzir informação. Aponta como principal causa a falta de investimento das empresas jornalísticas, espelhada na falta de tempo, incentivo e capacidade dos jornalistas na recolha e tratamento de dados. Reforçou que a curadoria digital não é suficiente e que a curadoria humana é essencial no tratamento dos dados.

Rita Paulino, professora na Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil, fechou o Painel com a apresentação de um newsgame elaborado pelos seus alunos, o “Primeiramente FT”. Os newsgames são jogos eletrónicos baseados em histórias e acontecimentos reais de caráter jornalístico. O “Primeiramente FT”, FT de ‘Fora Temer’, é um videojogo com uma crítica assumida ao governo brasileiro de Michel Temer, que assumiu a presidência do Brasil após o impeachment de Dilma Rousseff. O objetivo deste newsgame é fazer o jogador refletir sobre a atual conjuntura política brasileira. O jogo foi inicialmente desenvolvido para PC, mas está agora também disponível para dispositivos móveis.

Por Abigail Baptista (CC, 2º ano)

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