Ciberjornalistas 3.0: que tribo é essa?

img_3950
Interação entre jornalistas – Daniel Catalão (RTP), Catarina Santos (RR), Ana Pinto Martinho (OEJ / ISCTE) e João Pedro Pereira (Público) – e o público foi coisa que não faltou. Foto: Ana Isabel Reis

Esta foi a questão que lançou o debate entre profissionais e o público que encheu o Anfiteatro Nobre da FLUP. Não é fácil definir-se o conceito, mas da discussão saíram algumas ideias e conclusões interessantes.

A abrir o debate, Ana Pinto Martinho (Observatório Europeu de Jornalismo/ISCTE) referiu a dificuldade que tem em definir este novo termo. A inovação tecnológica mudou o paradigma do jornalismo e do trabalho dos jornalistas. Tudo tem a ver com a forma de trabalhar que teve de ser repensada após a introdução das novas tecnologias. As técnicas de tratamento de dados tiveram de se adequar à abundância de informação e à forma como esta é veiculada. Este constitui o grande desafio, na opinião de Ana Pinto Martinho, da nova era jornalística no meio digital.

Catarina Santos (Rádio Renascença) declarou que falar em ciberjornalistas 3.0 é falar do seu dia a dia. “Sou uma jornalista canivete suíço”, referiu explicando que desempenha inúmeras tarefas em simultâneo o que causa um maior número de preocupações. No entanto, considerou a polivalência vantajosa, pois permite explorar as narrativas de diversas formas distintas. “O problema não é o multitasking, mas a falta de tempo que compromete o rigor, a ética, a qualidade. A internet não veio matar isso, mas nós não estamos a acompanhar bem a mudança”.

“Sou um robot” foi a afirmação proferida por Daniel Catalão (RTP) para dar conta das atuais características de um jornalista: multitasking e eficiente na resposta ao imediatismo que a sociedade exige. O jornalista falou dos ciberjornalistas como “stalkers que perseguem as pessoas nas redes sociais que mais estão em voga”. Daniel referiu que as mudanças impostas no meio jornalístico obrigaram a que se juntassem as distintas áreas: imprensa, rádio e online. No entanto, a convergência não tem sido fácil “os jornalistas não se juntam: a rádio não quer nada com a televisão, a televisão não quer nada com a rádio… e com os tipos do online, então, é impossível”.

Já João Pedro Pereira (Público), introduziu no debate a questão dos conteúdos serem concebidos a pensar nas massas, isto é, produz-se o que “tem leitura”. A forma como o que se produz é consumido é a grande novidade da era do ciberjornalismo 3.0.

Posteriormente, estendeu-se o debate ao público e as questões centraram-se na pressão a que os jornalistas estão sujeitos e em que sentido a qualidade jornalística está comprometida nesta nova era. Chegaram-se a diversas conclusões que desenharam o perfil de um ciberjornalista 3.0.

Como resposta à questão com a qual se iniciou o debate, surgiram ideias importantes. Um ciberjornalista 3.0 deve estar preparado para a pressão a que está sujeito. É evidente que o feedback da audiência se reflete e influencia a forma de produção de conteúdos. No entanto, os jornalistas convidados concordaram com o facto de não se poder esquecer o critério de interesse público. Mesmo este critério levantou dúvidas, na medida em que tem vindo a ser repensado pois, muitas vezes, o que o jornalista considera de interesse público, é ignorado pela audiência.

A qualidade e veracidade da informação que chega ao público também foi alvo de críticas. Se alguns acham que é responsabilidade das plataformas a gestão do que é publicado, outros defendem que as pessoas têm de ter cultura critica e saber filtrar a informação.

Catarina Santos referiu que “atravessamos um período de convulsões, em que estamos, como outrora estivemos: à procura de um caminho”. No entanto, Daniel Catalão reforça que “não há nenhuma geração que esteja tecnicamente tão bem preparada como esta” e que os jornalistas de hoje devem manter-se “chatos e persistentes”, mantendo-se fiéis aos ensinamentos adquiridos na vida académica. Deste modo, o futuro do ciberjornalismo foi colocado nas mãos dos jovens aspirantes, num debate que envolveu a assistência num clima de descontração e de partilha de perspetivas distintas, mas complementares.

Por Lara Lopes (CC, 2º ano)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s