“A tecnologia é o meio. A informação, a matéria-prima”

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“A face do jornalismo alternativo brasileiro: uma análise a partir da autoapresentação de grupos informativos tidos como independentes” foi a proposta de dissertação de Kamila Fernandes que abriu a sessão paralela 4B do segundo dia do #5COBCIBER.

Kamila Fernandes apresenta um estudo sobre as várias formas de jornalismo alternativo que têm vindo a surgir. Nesta nova abordagem do jornalismo, as preocupações que prevalecem não são consentâneas com as da Imprensa da “velha guarda”.

Na verdade, para além de não partilhar os mesmos sistemas de valores, o jornalismo alternativo é pouco claro na sua autoapresentação. A ideologia dos grupos que se dedicam a estes novos métodos jornalísticos não é objetivamente apresentada.

Além disso, segundo a recolha de dados de Kamila Fernandes, quase metade dos meios de comunicação de jornalismo alternativo não explica o financiamento.

Kamila Fernandes realça, ainda assim, que o jornalismo alternativo “não quer só informar, quer transformar. Formar também.” Os valores defendidos são diferenciados, mais voltados para uma visão posicionada.

No entanto, questionada acerca do grupo Mídia Ninja, insurgente no Brasil, Kamila Fernandes hesita. Já teve mais dúvidas de que o grupo de média praticaria jornalismo alternativo, mas, hoje, crê que sim.

Por outro lado, o jornalismo cidadão ou participativo, na opinião da oradora, não pode realmente ser considerado jornalismo, porque parte principalmente da fonte, do testemunho. Kamila Fernandes acredita que, apesar de todas as evoluções, o jornalismo não pode escusar-se de mediação nem de técnicas jornalísticas. A ética é, também, a maior das preocupações.

Ana Serrano Telleria, da Universidade de Castilla La Mancha, trouxe ao #5COBCIBER uma dissertação sobre “Online Journalism and Design Thinking”.

A investigadora acredita que a sociedade se desenvolveu dentro de um meio online e de um meio offline, paralelamente. Mas esses dois meios não são mutuamente exclusivos; pelo contrário, encontram-se, fundem-se, intersetam-se. Por isso, Ana Telleria vai mais longe quando afirma que os jornalistas devem manter-se em contacto com as audiências, de forma a situá-las no centro da experiência mediática. Mais, a audiência deve rever-se no propósito jornalístico.

O estudo da oradora acrescenta que se torna necessário pensar melhor no formato mais adequado para transmitir os conteúdos e não pensar os conteúdos de forma a caber em determinado meio difusor. A qualidade dos conteúdos deve ser privilegiada.

Ana Serrano Telleria foi perentória ao defender que os diversos órgãos de comunicação devem apostar na sua diferenciação. A oradora considerou essencial construir a marca, a personalidade do meio de comunicação social. Essa construção deve estar ao abrigo do design e de outras áreas da comunicação, para além da jornalística.

Telleria não desresponsabiliza os jornalistas do trabalho informático. Na sua opinião, todos os jornalistas deveriam entender, ainda que não profundamente, técnicas de programação, para que pudessem alterar pormenores que influenciam a edificação da identidade da marca. Ana Serrano definiu, então, o jornalismo empreendedor como uma integração de vários saberes na produção jornalística.

O conceito de “transmédia” surgiu para explicar que os formatos multimédia devem ser integrados, estruturados e transversais. Já o “design thinking” é aconselhado de forma a explorar “vários aspetos de um mesmo mundo”, isto é, de uma mesma realidade. A estória jornalística é o primordial, a tónica deve estar no assunto, ainda que a sua apresentação deva ser pensada para que o conteúdo seja apreendido eficazmente.

Quanto à Imprensa escrita, Ana Serrano Telleria não negligencia a sua relevância nos dias de hoje. “Nunca acreditei que o papel ia desaparecer.”

O terceiro momento da conferência foi designado a Bruno Viana. O seu trabalho de revisão da literatura permitiu relacionar “a complexidade e o ciberjornalismo”, focando-se nas “práticas jornalísticas na era da informação”.

Bruno Viana colocou questões para guiar o seu trabalho de pesquisa, tais como: “o que é o ciberjornalismo?”, “como o jornalismo, e especificamente o produto para as plataformas digitais, se encontra em meio à complexidade da sociedade informacional?”, “o jornalismo online mantém a sua imparcialidade?”.

O investigador prosseguiu fazendo referência aos estudos de Edgar Morin acerca do Paradigma da Complexidade. Será que este conceito teórico se aplica ao jornalismo? Paralelamente, os trabalhos de Manuel Castells, que menciona, preconizam que a tecnologia é um meio e a informação é a matéria-prima. Na ótica de Bruno Viana, os dois autores aproximam-se, na medida em que o modelo ocidental do jornalismo oferece “padrões reducionistas de abordagem do quotidiano”.

Em contrapartida, existe uma complexidade e uma abrangência maiores na realidade e no próprio ciberespaço do que o jornalismo realmente retrata. Aliás, o conceito de “massas” cria uma ilusão distorcida de um público indiferenciado e simplicista.

Por Catarina Maldonado Vasconcelos (CC, 2º ano)

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