Jornalismo encontrou na Internet um terreno fértil para o futuro

“A prática da reportagem multimídia em três atos: experiência do jornal brasileiro Zero Hora em 2012, 2013 e 2015”, comunicação apresentada por Alexandre Lenzi, inaugurou uma das sessões paralelas (1A). O autor apresentou uma análise ao jornal Zero Hora, um jornal regional, mas que é o quinto maior do Brasil. Nela analisou as reportagens “Filho da Rua”, “Lições da Turma 11F” e “Refugiados – Uma história”, todas produzidas pela repórter Letícia Duarte. Alexandre Lenzi pôde inferir que houve preocupação do jornal em inovar de ano para ano e que houve uma tendência no planeamento das reportagens. A primeira foi inteiramente pensada para o suporte impresso e só depois era feita a transposição dos conteúdos para o online. A tendência reverteu e a terceira reportagem foi inteiramente concebida para o cibermeio, apesar de também ter tido versão impressa. “O trabalho em equipa é que vai permitir a reportagem multimédia com diferentes narrativas”, concluiu.

“From the microphone to the web – reconfiguration of the professional practices in Portuguese local radios” foi a comunicação que se seguiu, apresentada por Luís Bonixe. Nela, a Internet foi apresentada como o meio de reconfiguração da rádio. “O som deixa de ser o único elemento expressivo da Rádio”, referiu. Luís Bonixe falou do ganho de memória como uma das valências adquiridas pela rádio por interseção com o cibermeio. O orador analisou a perspetiva das rádios locais e salientou a importância da Internet para estas rádios, por permitir um maior número de ouvintes. O investigador terminou afirmando que os jornalistas veem na Internet um modo viável de ultrapassar as barreiras da rádio tradicional, mas que ainda há uma tendência para preterir o trabalho online em função do radiofónico.

“Reportagem multimédia na Folha e no Expresso: desafios e permanências”, foi apresentada por Branco Di Fátima, mas concebido em conjunto com Kérley Winques. O comunicador apresentou três eras do ciberjornalismo. A primeira, a partir de 1994, apresentava conteúdos gratuitos, sem imagem e sem preocupação ao nível dos conteúdos. A segunda surgiu no ano 2000 e já apresentava produção de conteúdo, os primeiros usos de Flash, um uso mais elaborado do hipertexto, mas ainda seguia a estrutura rígida da pirâmide invertida. A terceira era surgiu a partir de 2010 e engloba o Data Journlism, a procura de modelos de negócio, a preocupação com a produção para dispositivos móveis e aplicações e uma maior interatividade. A web reportagem “Snow Fall”, produzida pelo The New York Times em 2012, foi considerada pelo autor como a reportagem que mudou a forma de pensar as reportagens no cibermeio. Teve 2,9 milhões de visitas na primeira semana. O orador concluiu que tem havido um investimento cada vez maior a nível humano e financeiro e um trabalho in loco pormenorizado para narrar os acontecimentos. O estudo permitiu aos autores concluir ainda que a escrita continua a ser a raiz da web reportagem, porque humaniza as personagens e ajuda na descrição dos cenários, mas que a produção ainda não foi adaptada para suportes móveis.

Por fim, tivemos “Snap-Expresso: Um estudo de caso sobre o jornal português no Snapchat”, apresentada por Deborah Cattani Gerson e tendo como coautor Paulo Frias. De acordo com o estudo, o jornal Expresso recorreu a esta rede social para transformar informação massiva e de difícil compreensão em excertos de dez segundos, simples, e com o intuito de abranger as faixas etárias entre os 13 e os 25 anos de idade. O estudo permitiu concluir que esta produção de conteúdos era mais diferenciada e interativa. Também possibilita aos jornalistas aprenderem novas formas de transmitir informação aos diversos públicos e permite a adesão de novo público, uma vez que as faixas etárias mais jovens não estão presentes, não por falta de interesse, mas por estarem concentradas em novas plataformas.

Por André Ferrão (CC, 2º Ano)

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