Comentários online: um problema presente e complexo

As comunicações do painel 1B contaram com as participações de Maria Cruz Negreira Rey, Carlos Canelas, Helena Lima, Ana Isabel Reis e Filipe Resende.

Helena Lima e Ana Isabel Reis consideraram que, “de uma maneira geral, os sites noticiosos são extremamente limitadores em termos de participação” e “a participação pública e os formatos de interatividade praticamente reduzem-se à forma de comentário.”

Helena Lima considera que é preciso ir mais longe quando se fala de enquadramento da Web 2.0, pelo que espera que estes formatos, no futuro, assumam “formas mutíssimo interessantes em termos de escolha e seleção da imagem.”

Apesar disso, garante que, neste momento, não é isso acontece. E, em comparação com a comunicação de Carlos Canelas, admite mesmo que tem havido um retrocesso. Se por um lado, a maioria dos sites de notícias liberta para o facebook os seus comentários, que, por sua vez, não tem qualquer tipo de controlo editorial, por outro, Ana Isabel Reis garante que os jornalistas não lêem os comentários e que nem mesmo quem faz o trabalho de mediação, na maioria das vezes, o faz.

Daniel Catalão, jornalista da RTP, interviu ativamente no debate confessando que “o envolvimento técnico dos espetadores morreu” e apela ao estudo da “estratégia preguiçosa do facebook” que convida ao comentário, mas que deixa a pessoa que comenta sem resposta.

Alertou-se, de igual modo, para a “gestão complexa” dos comentários que pressupõe a existência nos órgãos de comunicação social de uma pessoa “adstrita” e responsável pelos mesmos ou da disposição de um mecanismo de “auto-regulação”, que considere a “reputação” do comentador e que o torne, de algum modo, “editor”.

Ana Isabel Reis defendeu mesmo a necessidade de uma “nova profissão” que envolva a gestão das redes. “É preciso ter alguém a trabalhar nisso”, afirma.

Debateu-se, de igual modo, a questão da democracia e da propriedade do espaço: discute-se que quem lê, não só passa a leitura pelo aquilo que o jornalista produz, mas por aquilo que é comentado. E que, consequentemente, o leitor avalia e toma o produto noticioso como a junção do trabalho de ambos: jornalista e “comentador”.

Coube à espanhola Maria Rey inaugurar este painel com a sua comunicação “El periodismo hiperlocal como alternativa” que abarca, de uma forma muito sucinta, o ciberjornalismo hiperlocal na Galiza, que tem registado um crescimento significativo, tendo estes meios hiperlocais produzido uma oferta informativa que abre novos espaços para a comunicação de proximidade.

Seguidamente, Carlos Canelas trouxe-nos a distribuição de conteúdos informativos em vídeo nos operadores generalistas televisivos portugueses via web, concluindo, no entanto, que os conteúdos continuam a ser veiculados primeiramente nas emissões tradicionais televisivas e não são sujetias a qualquer tratamento com o propósito de adaptá-las ao meio online.

Já as investigadoras Helena Lima e Ana Isabel Reis, apresentaram-nos a análise aos comentários nos sites das televisões portuguesas num período definido e, por fim, Filipe Resende centrou a sua investigação na forma como as redações estão organizadas e na forma como a cultura da convergência está a ser adaptada à imprensa portuguesa.

Por César Castro (CC, 2.º ano)

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